Polícia investiga envolvimento de Deolane com crime organizado e PCC

Coaf aponta que empresa de advogada movimentou R$ 13 milhões em um ano. Relações de Deolane com integrantes do PCC também são investigadas. ...

Coaf aponta que empresa de advogada movimentou R$ 13 milhões em um ano. Relações de Deolane com integrantes do PCC também são investigadas.

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Reprodução

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a empresa da advogada e influencer digital Deolane Bezerra movimentou quase o triplo do limite permitido. Documentos da Polícia Civil de São Paulo, obtidos com exclusividade pelo SBT, também apontam que ela teria participação em negócios duvidosos que anuncia nas redes sociais. A polícia investiga o envolvimento da advogada com o crime organizado.

Segundo o Coaf, a empresa de Deolane movimentou R$ 13 milhões entre maio de 2021 e maio de 2022, muito acima do limite de R$ 4,8 milhões estabelecido pelo Simples Nacional. O novo inquérito foi instaurado na mesma delegacia responsável pela busca realizada na mansão de Deolane Bezerra, em julho. Apesar de tentar demonstrar que o seu patrimônio recente tem sido formado por meio de contratos de publicidade, a estrela das redes vai responder por crime contra as relações de consumo e associação criminosa.

Propaganda enganosa

Os negócios costumam ser anunciados por Deolane, nas redes, como propostas rentáveis. Em um deles ela diz: “E não é porque eu sou embaixadora não, mas Lance Milionário é a melhor do mercado”. Em publicação recente, a advogada ainda cita: “É a empresa que eu mais gosto hoje em dia de divulgar, eu não tenho trabalho, não me enche a paciência, o retorno é muito bom”.

Em outra publicação, a advogada além de fazer a publicidade e venda de produto com características de jogo de azar, publica em seu Instagram que o filho, de 16 anos, utiliza a plataforma para jogos e anuncia que o menino ganhou e resgatou R$ 10 mil.

Veja também:
Deolane está sendo investigada ao lado das irmãs Daiane e Daniele Bezerra, que aparecem como sócias da empresa “Bezerra Publicidade” e se valem de propagandas anunciadas com métodos parecidos.

Segundo o inquérito, “as influenciadoras não estão agindo como ‘garotas propagandas’ dos itens, em verdade, atuam como ‘sócias de fato’ dos produtores, tendo em vista, receberem ‘porcentagem’ na venda de cada um”.

O documento aponta para a prática “reiterada” de crimes contra as relações de consumo, uma vez que as envolvidas se aproveitam da capacidade de seduzir seus seguidores e da confiança que eles depositam nelas.

Se ficar comprovado que Deolane e suas irmãs, induziram o consumidor ou usuário a erro, por indicação ou afirmação falsa ou enganosa sobre o bem ou serviço, por meio da divulgação publicitária, elas estarão sujeitaa a pena de detenção, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, ou multa.

Sonegação fiscal e lavagem de dinheiro

A polícia também acusa a advogada de sonegação fiscal. Deolane declarou à Receita Federal o total de rendimentos tributáveis no valor de R$ 67.026,32, renda incompatível com a vida de luxo e ostentação.

“Analisando a modesta declaração de imposto de renda de ‘pessoa física’ da investigada, verificamos que é contrastante com o ‘luxuoso e dispendioso’ estilo de vida da influenciadora digital Dra Deolane, razão pela qual, compreendemos as razões para as comunicações feitas pela instituição bancaria ao Coaf em face da identificação de indícios de sonegação fiscal”, diz o documento.

Segundo o inquérito, pode ser possível que parte do volume a que se credita serem originados de contratos de publicidade, “em verdade, possam ser resultantes de atividade destinada ao branqueamento de dinheiro oriundo do tráfico de drogas”.


Novo inquérito

A Polícia Civil comunicou ainda ao Judiciário, a abertura de um terceiro inquérito contra Deolane Bezerra, por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Com base em documentos do Coaf, os policiais vão investigar negócios da advogada com integrantes do crime organizado.

Deolane comprou carros de pessoas ligadas a duas empresas do transporte público de ônibus da capital paulista: a Upbus e a Qualibus. As duas empresas, de acordo com a polícia, são controladas por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. A influenciadora também vendeu veículos para essas pessoas, o que a polícia define como lavagem de dinheiro.

Pelo menos dois carros de Deolane foram apreendidos em julho. A advogada pediu à Justiça à devolução dos veículos, mas o pedido foi negado.

A defesa de Deolane foi procurada, porém até o momento não respondeu aos questionamentos da reportagem. Quando houver a resposta, ela será acrescentada a este texto.

(Terra Brasil Notícias)

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