Gentileza como linguagem do Coração

A gentileza é a expressão da essência da natureza humana e nos permite conectar com a essência dos outros seres humanos.  Por Ana Beatriz Ga...

A gentileza é a expressão da essência da natureza humana e nos permite conectar com a essência dos outros seres humanos.

 Por Ana Beatriz Gama Pignataro

O desenvolvimento da gentileza é como uma semente que precisa de cuidados que lhes são próprios para florescer. Toda semente busca a luz do sol porque já possui em si um pouco desse sol. Assim também acontece com as virtudes que queremos desenvolver: a essência enquanto ser humano é essa semente.
Foto: Reprodução

Na essência humana estão três elementos que a caracterizam: a Beleza, a Bondade e a Justiça (Verdade). Esses elementos compõem o “Sol” que a essência humana se motiva a buscar. Todos os seres humanos têm esses elementos dentro de si como uma semente, mas que esquecemos de cultivar, de cuidar e valorizar esses elementos dentro de nós. Esquecemos de buscar essa Luz e nos deixamos ser atraídos por outras motivações.

Quando o ser humano aprende a valorizar a Bondade, a Verdade e a Beleza, ele sente uma gratidão profunda e busca ser um canal dessas ideias. Quando se identifica e vive essa ideia, essa essência de Deus, o indivíduo se relaciona com tudo e com todos amando-os pela essência e não pela aparência.

Todo ser humano se sente tocado ao receber um ato de gentileza. A gentileza é uma linguagem universal. Porque essa é uma linguagem da alma, do coração. Há que cuidar para não deixar que as ervas daninhas comprometam o desenvolvimento desta virtude.

São elas:

- Estresse: estado de pressa, sempre na correria. Atualmente o valorizamos como sinônimo de ocupação, eficiência e responsabilidade. A crença é de que, se estou estressado, é porque me preocupo e sou responsável e, portanto, não temos “espaço” para mais nada. Isso impede a gentileza, porque parece que estaremos “perdendo tempo”. Porém, quanto mais centrada a pessoa estiver, mais capacitada para resolver as situações da vida com mais visão, discernimento e profundidade, ela terá;

- Automatismo: estamos nos habituando a automatizar nossos pensamentos e emoções. Reagimos sem consciência de contexto e de momento, damos respostas automáticas, reagindo conforme os gatilhos mentais criados. Precisamos combater exercitando a atenção no momento presente e identificando as causas, caso contrário, não conseguiremos expressar a gentileza nesses momentos;

- Intolerância: forma de olhar para as pessoas e julgar seus defeitos e sombras, culpando-as por serem assim. Quando temos consciência das nossas lutas internas e os esforços que temos para vencer, compreendemos o outro e suas dificuldades expressando compaixão;

- Praticidade: buscamos o prático a qualquer custo, pensando que é melhor assim. Mas há que se pensar que obras antigas são lindas e nos encantam porque possuem muitos detalhes. No entanto, queremos o prático porque é o mais fácil. O culto ao que estamos chamando de praticidade vai fazendo com que as coisas e situações vão perdendo sua beleza e tornando-se vazia. Somos artistas da expressão da vida.

E diante dessa consciência, como saber se estou, de fato, expressando a gentileza, se essa semente dentro de mim está vindo à tona ou não?

Podemos percebê-la por meio da convivência. Ela é o espelho que permite ver se estou vivendo a gentileza. Ao olhar no espelho e perceber que o rosto está sujo, a ação é limpar o rosto e não o espelho. Quando minhas relações estão cheias de conflitos, preciso voltar o olhar para mim.

Outro aspecto profundo da gentileza é a relação com a vida. Aceitar as experiências que a vida nos traz e não rejeitar. Buscar compreender que o que a vida quer de nós naquele momento é a chance de encontrar a resposta necessária ao que a vida pede.

Precisamos aprender a linguagem da gentileza que sempre nos conecta a tudo, fazendo com que estejamos despertos a aprender. Todas as situações nos trazem algo que nos comunica com a vida, por mais simples e trivial que sejam.

Resultado natural da expressão da gentileza é a felicidade. Na nossa natureza está o segredo da nossa felicidade.

*Palestra integrante da programação da Semana da Filosofia 2021

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