Vírus do Nilo Ocidental bate recorde histórico na Europa; entenda a doença
O vírus do Nilo Ocidental atingiu níveis recordes na Europa em 2026 e elevou o alerta sobre uma infecção transmitida por mosquitos que, na m...
O vírus do Nilo Ocidental atingiu níveis recordes na Europa em 2026 e elevou o alerta sobre uma infecção transmitida por mosquitos que, na maioria das vezes, passa sem sintomas, mas pode causar complicações neurológicas graves.
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| Reprodução |
Até o início de outubro, 18 países europeus registraram 1.855 casos em humanos desde o começo de 2026, com 141 mortes, de acordo com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). A Itália aparece como o país mais afetado, com 748 casos; Grécia e França anotaram seus maiores números da história, com 445 e 144, respectivamente.
Os dados também apontam avanço em animais: quinze países relataram 511 surtos em equídeos e 595 surtos entre aves. A temporada de transmissão na Europa se aproxima do fim, mas as autoridades europeias alertam que a circulação em baixo nível pode continuar nas semanas seguintes.
O que é a febre do Nilo Ocidental
A febre do Nilo Ocidental é causada pelo vírus do Nilo Ocidental e faz parte do grupo das arboviroses —infecções transmitidas por insetos vetores, como dengue, chikungunya e febre amarela. Trata-se também de uma zoonose, porque afeta outros animais, como aves e equinos.
O nome vem do vírus identificado pela primeira vez em 1937, no sangue de uma mulher com febre na província de Nilo Ocidental, em Uganda. No Brasil, o primeiro caso foi registrado em 2014, no Piauí, que também foi o primeiro estado do país a notificar uma morte pela doença, em 2017.
Como a transmissão acontece
A principal forma de transmissão é a picada de mosquitos infectados do gênero Culex, que costumam circular principalmente no início da manhã ou à noite. O vírus circula sobretudo entre aves e mosquitos: ao picar uma ave infectada, o mosquito pode adquirir o vírus e depois transmiti-lo a pessoas ou outros animais.
Em geral, humanos e cavalos não sustentam o ciclo de transmissão porque têm baixa quantidade de vírus no sangue. No dia a dia, não há transmissão de pessoa para pessoa por contato, como toque, tosse ou convívio próximo.
Há situações raras em que a infecção pode ocorrer por outras vias, como transfusão de sangue, transplante de órgãos e da mãe para o feto durante a gravidez. Também existe a possibilidade de transmissão pelo aleitamento materno.
Sintomas e quando o quadro pode piorar
Cerca de 80% das pessoas infectadas não têm sintomas. Entre as que apresentam sinais, a maioria desenvolve um quadro leve, parecido com o de uma virose comum.
Os sintomas costumam aparecer entre dois e seis dias após a picada do mosquito, mas podem levar até 14 dias. Em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, esse período pode ser maior.
Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, náusea e vômito, diarreia, cansaço, ínguas e manchas na pele.
Menos de 1% dos infectados —cerca de uma em cada 150 pessoas— pode evoluir com complicações neurológicas, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda. Os quadros mais graves acontecem quando o vírus atinge o sistema nervoso central.
Sinais de alerta incluem febre alta, rigidez na nuca, dor de cabeça intensa, confusão mental, desorientação, sonolência excessiva, tremores e convulsões. Também podem ocorrer fraqueza muscular, perda de visão, dormência e paralisia.
O risco de complicações aumenta com a idade, principalmente após os 70 anos. Pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e doença renal também são mais vulneráveis, assim como quem tem o sistema imunológico comprometido.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
A febre do Nilo Ocidental pode ser confundida com outras arboviroses por ter sintomas parecidos, e a confirmação depende de exames laboratoriais. Uma das formas de diagnóstico é a sorologia, que busca anticorpos e pode ser feita a partir do quinto dia de sintomas; outra é o PCR, indicado sobretudo nos primeiros dias.
Os testes sorológicos podem ter reação cruzada com vírus da mesma família, como dengue, zika e febre amarela, o que pode exigir exames mais específicos. Já o RT-PCR, que detecta o material genético do vírus no sangue ou no líquor, não está amplamente disponível.
Não há antiviral específico aprovado para o vírus do Nilo Ocidental. Nos casos leves, o cuidado é voltado a aliviar sintomas, com repouso, hidratação e uso de analgésicos, antitérmicos e alguns anti-inflamatórios. Em casos graves, especialmente com comprometimento neurológico, pode ser necessária internação, com hidratação intravenosa, controle da dor, suporte respiratório e cuidados intensivos.
Também não existe vacina aprovada para humanos; as disponíveis são de uso veterinário. Assim, a prevenção depende de reduzir a exposição aos mosquitos, com eliminação de recipientes com água parada, uso de repelentes, roupas compridas nos horários de maior atividade dos mosquitos, telas em portas e janelas e mosquiteiros. Especialistas também citam ações públicas como controle de criadouros, manejo ambiental e melhoria do saneamento básico.
Casos no Brasil em 2026
O estado de São Paulo confirmou os dois primeiros casos humanos de febre do Nilo Ocidental de sua história em agosto de 2026. As pacientes são de Ribeirão Preto e de São José do Rio Preto.
Em Santa Catarina, outros dois casos foram confirmados, em moradores de Imbituba e Caçador; um dos casos catarinenses evoluiu para morte. Especialistas afirmam que a doença ainda é rara no Brasil e, em geral, tem baixo risco para a população, mas a identificação em diferentes estados pode refletir tanto maior circulação do vírus quanto aumento da suspeita e da realização de exames.
Fonte: Do UOL, em São Paulo / Com informações de reportagens publicadas
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