Risco de guerra? Entenda o que está acontecendo entre a Ucrânia e a Rússia

Crise é uma das mais graves no solo europeu nas últimas duas décadas Redação iBahia  Foto: Reprodução Uma das mais graves crises em solo eur...

Crise é uma das mais graves no solo europeu nas últimas duas décadas

Redação iBahia 

Foto: Reprodução

Uma das mais graves crises em solo europeu, nas últimas duas décadas, está acontecendo entre a Ucrânia e Rússia. A tensão expôs antigas divergências estratégicas entre Moscou e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que podem levar a um conflito armado potencialmente perigoso não apenas para a região, mas para segurança e estabilidade de todo o mundo.

Entenda abaixo o que está acontecendo, segundo o jornal O Globo:

Qual a origem da tensão atual?

A Rússia e a Ucrânia vivem uma relação turbulenta desde a primeira década deste século.

Em 2013, por pressão da Rússia, o governo de Kiev desistiu de um acordo que poderia pavimentar a entrada do país na União Europeia, gerando uma revolução e a queda de Viktor Yanukovich, alinhado ao Kremlin.

Os anos seguintes for marcados pela anexação da Rússia da Península da Crimeia, sede da frota russa no Mar Negro e que havia sido cedida à Ucrânia na era soviética e alguns outros conflitos.

Sob críticas de Moscou, o país passou a estreitar laços com a aliança, e Vladimir Putin apontou que tal adesão seria uma “linha vermelha”.

Outro motivo seria o fato da Rússia estar incomodada com as recentes aquisições de armar por Kiev, incluindo drones de ataque turcos, e possível uso contra separatistas pró-Moscou no Leste do país.

Já em novembro de 2021, percebendo as dificuldades enfrentadas pelo governo Bidem e com aliados europeus sobre como lidar com Moscou, o governo Putin concentrou mais de 100 mil soldados na fronteira da Ucrânia, soando alarmes em Kiev, em Washington e na Europa de que estaria prestes a uma invasão de larga escala.

Onde estão as forças da Otan e da Rússia na crise da Ucrânia?

A Rússia exige um veto permanente à entrada da Ucrânia na aliança. Putin critica a expansão da organização rumo às fronteiras russas, que vem desde o fim da União Soviética.

Para Putin, as forças da Otan e dos EUA deveriam deixar os países do Leste europeu e suspender exercícios perto das fronteiras russas.

Analistas veem nisso uma forma de a Rússia ver “oficializado” seu status de potência, com o reconhecimento de que as antigas repúblicas soviéticas na Europa são sua área de influência, mesmo sem considerar que muitas nações dessa região estão alinhadas ao Ocidente.

O que a Otan está disposta a negociar?

A aliança não deu resposta às demandas da Rússia, mas alguns pontos parecem ser inegociávels: o veto à entrada da Ucrânia, que significaria uma quebra da política de “portas abertas”; a retirada das forças do Leste europeu e, por fim, o status das armas nucleares localizadas em nações como a Alemanha e a Turquia.

Alguns analista veem a possibilidade de acordos de segurança coletiva, a começar por um novo tratado sobre as armas nucleares de alcance intermediário.

Qual é o objetivo da mobilização de forças pela Otan?

Provavelmente não haverá envio de forças da aliança liderada pelos Estados Unidos para lutar ao dos ucranianos.

Apesar das boas relações, a Ucrânia não é parte da Otan, e não se beneficia do Artigo 5°, que considera um ataque contra um dos membros como um ataque a todos.

Além disso, embora a Rússia seja considerada uma adversária pelo governo Biden, a Ucrânia não é considerada de importância estratégia por Washington.

Ao aumentar seu contingente no flanco oriental, a Otan pretende passar uma imagem de união para Moscou, sinalizando que a pressão sobre os ucranianos não servirá para inibir sua presença na área.

Quais são as opções da Otan em caso de invasão?

É consenso entre os países da Otan que a invasão é o pior cenário.

A prioridades é a aplicação de sanções. Medidas contra o governo, incluindo contra Putin, seriam os primeiros passos.

Também seriam inclusos, posteriormente, o corte do acesso dos bancos russos aos sistemas de pagamento internacionais.

Em termos militares, a aliança poderia ampliar o envio de armas a Kiev, e fomentar grupos armados de resistência, hipótese que chegou a ser levantada por congressistas americanos.

Quais são as opções da Rússia na crise?

A Rússia nega ter planos de uma nova invasão, mas analistas acreditam que, caso Putin decida cruzar as fronteiras, será uma operação rápida, com ataques contra alvos estratégicos, com o objetivo de humilhar as forças ucranianas e mostrar que o Ocidente não é tão aliado assim.

Mas, Moscou tem sanções econômicas do Ocidente que seriam respondidas com o corte no fornecimento de gás natural à Europa, ampliando a crise energética no continente.

Por que a Europa está dividida?

O ponto central, especialmente para a Alemanha, é a energia. O país depende do gás importado da Rússia para atender suas demandas internas, e está prestes a inaugurar a operação de um novo gasoduto, o Nord Stream 2, que cruza o Mar Báltico, ampliando o fornecimento para os europeus. O projeto, hoje concluído mas sem autorização para operar, chegou a ser alvo de sanções dos EUA no passado.

Além disso, há também questões em torno do alinhamento com Washington. Países como a França também ressaltam a necessidade de autodeterminação e autonomia do bloco.

O presidente Emmanuel Macron quer conduzir um diálogo diplomático entre Rússia e Ucrânia, e mostrar que a Europa consegue resolver suas próprias crises sem a participação americana.

Onde a Ucrânia entra nas negociações?

As opções para a Ucrânia são poucas. A entrada para a Otan é improvável, resultando pouca confiança nas autoridades em Kiev e do cenário estratégico regional.

A promessa de fornecimento de armas se resume a equipamentos defensivos. . Enfrentar os russos no campo de batalha não é uma opção plausível, dadas as diferenças entre os dois arsenais.

Analistas preevem um solução com precedentes históricos: a neutralidade da Ucrânia. Isso poderia acalmar os ânimos de Moscou.

Outra hipótese também foi levantada: o uso de um estudo da Otan, de 1995, que condiciona a admissão de membros à resolução de conflitos internos — isso manteria as portas da aliança abertas a Kiev, mas atrasaria muito uma eventual entrada.

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