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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Hospital Regional Norte: Doação de órgãos salva vidas e minimiza efeitos do luto

Mãe de uma criança com deficiência de nove anos, Maria (nome fictício), viu sua vida mudar completamente há cerca de três meses. Maria trabalha na área da saúde quando percebeu a filha com muitas náuseas em casa conduzindo-a imediatamente ao hospital. Após algumas horas a criança teve uma parada cardiorrespiratória sendo transferida em estado grave para o Hospital Regional Norte (HRN), da rede pública do Governo do Ceará, administrado pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH).


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O prognóstico não era bom, a menina passou por uma reanimação difícil e fora internada na UTI Pediátrica do HRN. 13 dias depois, a criança acabou não resistindo. “Depois que os médicos confirmaram a morte encefálica, Deus me iluminou com o dom da caridade. Ajudar alguém não é só dar uma roupa usada ou comida, é o dom da vida, amar ao próximo como a si mesmo. E em um momento de dor, eu sabia que poderia ajudar outras famílias para que seus filhos tivessem a chance de ser curados através de um transplante”, ressalta a mãe. Da menina foram doados os rins, as córneas e o fígado.

Com a doação, Maria sente que sua filha continua viva em outras crianças. “Ela foi minha primeira filha. Meu sonho era ser mãe e a gente só conhece o amor depois da maternidade. Esse amor que eu tinha se espalhou e sei que de alguma forma ela ganhou novas famílias, eu novos filhos, mesmo que nunca saiba quem são”, diz.

A mãe conta ainda que no primeiro momento sua família foi contra o processo de doações de órgãos. Porém, ela acreditava que a iniciativa podia salvar outras crianças. “O hospital foi muito receptivo e acolhedor e não faltou nada para a gente. O meu marido acabou concordando com a doação e agora toda a família defende a causa da doação de órgãos”, ressalta.

CIHDOTT
O HRN conta com a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) há mais de cinco anos. A comissão é formada por uma equipe multiprofissional de médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, médicos da emergência e UTI, além de serviços secundários de Imagem e Laboratório. A finalidade da comissão é organizar institucionalmente rotinas e protocolos que possam possibilitar o processo da doação de órgãos e tecidos aos pacientes que aguardam por um transplante.

Sensibilização das famílias
O coordenador da CIHDOTT e médico intensivista, Francisco Olon Leite Júnior, explica que o processo de sensibilização no HRN para a doação de órgãos não é voltado apenas aos pacientes de transplante e nem focado em um momento só, mas acontece desde a chegada ao hospital.

“Percebemos que o acolhimento dá resultado quando ele é feito da mesma forma para todos os pacientes que chegam graves ao hospital. Quando o paciente é bem recebido na emergência e a família acolhida, reflete diretamente na decisão dos familiares”, destaca.

O especialista explica que o diagnóstico de morte encefálica é demorado e exige exames clínicos realizados por dois ou três médicos, além de um exame complementar de eletroencefalograma, que é conduzido em parceria com a Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) e a Central de Transplantes do Governo do Estado.

“Quando eventualmente o paciente evolui para morte encefálica, procuramos dar assistência a essa família em todas as fases do diagnóstico. O objetivo é dar o diagnóstico de morte encefálica, que é um direito da família e uma obrigação médica independente da questão da doação”, explica.

Fechado o diagnóstico, a equipe multiprofissional da CIHDOTT realiza uma entrevista com a família e tem início o processo de doação. “A doação é uma consequência; focamos no suporte da família que está com a perda. Explicamos que é um direito da família a doação e que o paciente está em óbito, mas o corpo está sendo mantido por aparelhos e drogas com alguns órgãos ainda funcionando”, ressalta.

O médico completa ainda. “Muitas famílias que doam se sentem melhores emocionalmente por saberem que uma parte do seu ente querido pode estar vivendo em outra pessoa e que eles podem estar ajudando outra pessoa e isso faz diminui um pouco a dor do luto, da perda. Estamos beneficiando em primeiro lugar a família que doa, e, quando ocorre a doação, um outro grande benefício do transplante é salvar vidas ou melhorar a qualidade de vida das pessoas, reduzir a mortalidade”.

Expansão
O HRN capta prioritariamente fígado, rins e córneas para a Central de Transplantes do Governo do Estado, que funciona em Fortaleza. Em 2019, já foram cinco doadores até o mês de julho, com cinco fígados, oito córneas e dez rins captados. Em 2018, foram oito doadores efetivos, contra cinco doadores em 2017. “Temos um crescimento importante na doação. Acreditamos que vem reduzindo a negativa familiar”, avalia o especialista.

O HRN foi um dos hospitais convidados a participar do Projeto DONORS – Estratégias para otimizar a assistência aos potenciais doadores que consolida sua contribuição às ações do Sistema Nacional de Transplantes para otimizar a doação de órgãos no Brasil.

O projeto é uma parceria entre Hospital Moinhos de Vento (RS) e o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS).

O objetivo é traçar alternativas para preservar futuros doadores. “A segunda causa de perda de órgãos no Brasil, logo após a negativa familiar, é má manutenção dos possíveis doadores, quando o paciente não chega a captar órgãos devido ter uma parada cardíaca. Mantemos um padrão no HRN. Nunca perdemos nenhum paciente por parada”, completa.

Assessoria de Comunicação do HRN
Repórter/fotos: Teresa Fernandes
Arte gráfica: Jeorge Farias

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