Sacrário jesuítico de quase 300 anos será devolvido a Viçosa do Ceará
Um sacrário de madeira produzido no século XVIII e ligado à antiga missão jesuítica da Ibiapaba deverá retornar à Igreja Matriz de Nossa Sen...
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Um sacrário de madeira produzido no século XVIII e ligado à antiga missão jesuítica da Ibiapaba deverá retornar à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção
O retorno está sendo discutido entre as dioceses de Sobral e Tianguá, com participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, a transferência só deverá ocorrer após a restauração do conjunto.
Segundo José Luiz Lira, diretor do Museu Diocesano Dom José, a peça não deve ser simplesmente retirada do acervo e levada para Viçosa. O entendimento entre as instituições prevê que o sacrário passe por um processo de recuperação antes de deixar Sobral.
A peça teria sido confeccionada por volta da década de 1730 e permaneceu na Igreja Matriz de Viçosa do Ceará até a década de 1950, quando foi retirada durante uma reforma no templo. Posteriormente, o conjunto foi encaminhado ao Museu Diocesano Dom José, onde permanece há mais de sete décadas.
De acordo com Lira, a retirada contribuiu para a preservação da peça, que poderia ter sido perdida após ficar fora do altar e sem uma destinação adequada. O diretor afirma ainda que a transferência foi formalizada e registrada no livro de tombo do museu.
Como é o sacrário
Conforme a catalogação do Museu Diocesano Dom José, o conjunto é confeccionado em cedro policromado, com 94 centímetros de altura e 1,84 metro de comprimento.
A estrutura apresenta madeira entalhada, colunas, frisos e diversos elementos ornamentais característicos da arte sacra colonial. Mesmo com o desgaste provocado pelo tempo, ainda são visíveis vestígios de pintura em tons dourados, brancos e avermelhados.
Na parte central, destaca-se uma representação de Cristo ressuscitado cercado por anjos. O conjunto também possui ornamentos com formas vegetais, folhas, frutos e elementos arquitetônicos que dão ao retábulo aspecto monumental.
Atualmente, a peça apresenta áreas com perda da pintura, fissuras, manchas e sinais de deterioração da madeira, o que reforça a necessidade de restauração antes do retorno a Viçosa.
Para pesquisadores da região, o sacrário também possui relevância histórica pela possível participação de indígenas na produção artística realizada durante o período das missões jesuíticas na Ibiapaba.
O pesquisador João Bosco Gaspar considera que a combinação entre a estética jesuítica e a contribuição indígena tornou o conjunto uma peça de grande importância para a história cultural da região.
Retorno é reivindicado há anos
A volta do sacrário para Viçosa do Ceará é reivindicada há pelo menos uma década. Segundo Gilton Barreto, secretário de Turismo e Cultura do município, a mobilização ganhou força a partir de 2012.
Na época, moradores e visitantes também defendiam o retorno de outras peças relacionadas à história religiosa do município. A mobilização teria reunido mais de 10 mil assinaturas.
Com o passar dos anos, a reivindicação deu lugar a tratativas institucionais entre as dioceses de Sobral e Tianguá. O entendimento atual prevê o retorno do sacrário após a realização dos procedimentos de restauração.
Restauração ainda depende de encaminhamentos
O projeto de restauração já teria sido aprovado, mas a execução ainda depende dos procedimentos necessários junto ao Iphan. Uma devolução chegou a ser prevista para agosto, mas não houve avanço suficiente para que a transferência fosse realizada.
Agora, uma nova data é aguardada.
Após a restauração, a previsão é que o sacrário seja transportado de volta para a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Viçosa do Ceará, e reinstalado no espaço onde permaneceu originalmente.
O Museu Diocesano Dom José possui cerca de 40 mil itens históricos e é considerado um dos maiores acervos de arte sacra do Brasil.
Fonte: Diário do Nordeste
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| Reprodução |
Um sacrário de madeira produzido no século XVIII e ligado à antiga missão jesuítica da Ibiapaba deverá retornar à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Viçosa do Ceará, onde foi originalmente instalado. A peça, com quase 300 anos, está atualmente sob a guarda do Museu Diocesano Dom José, em Sobral.
O retorno está sendo discutido entre as dioceses de Sobral e Tianguá, com participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, a transferência só deverá ocorrer após a restauração do conjunto.
Segundo José Luiz Lira, diretor do Museu Diocesano Dom José, a peça não deve ser simplesmente retirada do acervo e levada para Viçosa. O entendimento entre as instituições prevê que o sacrário passe por um processo de recuperação antes de deixar Sobral.
A peça teria sido confeccionada por volta da década de 1730 e permaneceu na Igreja Matriz de Viçosa do Ceará até a década de 1950, quando foi retirada durante uma reforma no templo. Posteriormente, o conjunto foi encaminhado ao Museu Diocesano Dom José, onde permanece há mais de sete décadas.
De acordo com Lira, a retirada contribuiu para a preservação da peça, que poderia ter sido perdida após ficar fora do altar e sem uma destinação adequada. O diretor afirma ainda que a transferência foi formalizada e registrada no livro de tombo do museu.
Como é o sacrário
Conforme a catalogação do Museu Diocesano Dom José, o conjunto é confeccionado em cedro policromado, com 94 centímetros de altura e 1,84 metro de comprimento.
A estrutura apresenta madeira entalhada, colunas, frisos e diversos elementos ornamentais característicos da arte sacra colonial. Mesmo com o desgaste provocado pelo tempo, ainda são visíveis vestígios de pintura em tons dourados, brancos e avermelhados.
Na parte central, destaca-se uma representação de Cristo ressuscitado cercado por anjos. O conjunto também possui ornamentos com formas vegetais, folhas, frutos e elementos arquitetônicos que dão ao retábulo aspecto monumental.
Atualmente, a peça apresenta áreas com perda da pintura, fissuras, manchas e sinais de deterioração da madeira, o que reforça a necessidade de restauração antes do retorno a Viçosa.
Para pesquisadores da região, o sacrário também possui relevância histórica pela possível participação de indígenas na produção artística realizada durante o período das missões jesuíticas na Ibiapaba.
O pesquisador João Bosco Gaspar considera que a combinação entre a estética jesuítica e a contribuição indígena tornou o conjunto uma peça de grande importância para a história cultural da região.
Retorno é reivindicado há anos
A volta do sacrário para Viçosa do Ceará é reivindicada há pelo menos uma década. Segundo Gilton Barreto, secretário de Turismo e Cultura do município, a mobilização ganhou força a partir de 2012.
Na época, moradores e visitantes também defendiam o retorno de outras peças relacionadas à história religiosa do município. A mobilização teria reunido mais de 10 mil assinaturas.
Com o passar dos anos, a reivindicação deu lugar a tratativas institucionais entre as dioceses de Sobral e Tianguá. O entendimento atual prevê o retorno do sacrário após a realização dos procedimentos de restauração.
Restauração ainda depende de encaminhamentos
O projeto de restauração já teria sido aprovado, mas a execução ainda depende dos procedimentos necessários junto ao Iphan. Uma devolução chegou a ser prevista para agosto, mas não houve avanço suficiente para que a transferência fosse realizada.
Agora, uma nova data é aguardada.
Após a restauração, a previsão é que o sacrário seja transportado de volta para a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Viçosa do Ceará, e reinstalado no espaço onde permaneceu originalmente.
O Museu Diocesano Dom José possui cerca de 40 mil itens históricos e é considerado um dos maiores acervos de arte sacra do Brasil.
Fonte: Diário do Nordeste
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