Sobral não tem números atualizados do mercado informal

O último levantamento foi realizado antes da pandemia, e segue no vácuo dos dados positivos divulgados sobre as contratações formais A últim...

O último levantamento foi realizado antes da pandemia, e segue no vácuo dos dados positivos divulgados sobre as contratações formais

A última vez que Ruth Oliveira (27), mãe de dois filhos, trabalhou de carteira assinada foi em 2015. A jovem atuava como vendedora. Ao sair do antigo emprego, Ruth investiu parte do que recebeu, em compras. As mercadorias, expostas na Praça de Cuba, Centro Comercial da Cidade, variam de peças íntimas a roupas femininas. E segundo a ambulante, o que não faltam são clientes. “Eu estou aqui na Praça de Cuba faz cinco anos. Trago peças de Morrinhos e Fortaleza, e sempre consigo vender. Antes, cheguei a me preocupar pela falta de um emprego formal; mas hoje, não penso em voltar a trabalhar para ninguém. Sou realizada com o que faço”, garante a jovem, moradora do bairro Sumaré.

“O difícil de expor seus produtos na rua é a insegurança e a falta de um apoio maior para quem luta pelo seu sustento de sol a sol”, quem revela a situação é Olívia Januário (58), costureira, por 25, que trocou a máquina de costura por uma banca de artigos religiosos exposta na praça. Olívia saiu doente do antigo emprego, onde adquiriu uma hérnia de disco. “Fiquei doente e não pude mais trabalhar daquela forma. Estar sentada, a maior parte do tempo, acabou com minha coluna. Sou moradora do Nova Caiçara, e estou há quinze anos nesse ramo de ambulante. Não tenho do que reclamar. É daqui que tiro meu sustento. Nunca mais quis trabalhar para ninguém”, revela.

O comércio informal ganha cada vez mais espaço nas ruas do Centro de Sobral (Foto: Nildo Nascimento).
Apesar de se sentirem bem na situação de trabalho em que se encontram, sem estar subordinadas a ninguém, Ruth e Olívia andam na contramão de quem quer mesmo é um emprego formal. A notícia que o Ceará havia gerado mais de 7,5 mil empregos, no último mês de outubro deste ano, ainda repercute, quando o assunto é a recolocação de profissionais no mercado de trabalho. Ainda mais, na atual situação de retomada das atividades nos mais variados setores.

Os últimos números foram consolidados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado, neste mês de dezembro, pelo Ministério da Economia. Para o Ceará, o dado positivo representa o sexto mês consecutivo gerando mais empregos do que demissões. O setor de serviços lidera o ranking, com saldo de 4,176 mil vagas ocupadas; o que representa mais da metade dos empregos gerados no Estado.

Os saldos positivos são percebidos pela reação do comércio (1,943 mil empregos), da indústria (838), agropecuária (398) e construção civil (221). E a esteira dos empregos formais se estende, pelo Estado. No caso de Sobral, por exemplo, segundo dados do Sine/IDT, relacionados aos meses de janeiro a dezembro, foram ofertadas 4.397 contratações de carteira assinada. No ano passado, esse número foi de 3.631 vagas. O percentual representa aumento de 21%, na comparação com 2020, ano em que Sobral deixou a Capital, Fortaleza, em segunda posição, no ranking das contratações, segundo o Caged. Mas apesar do êxito, tendo em vista a crua realidade que a pandemia trouxe à economia no País, ainda há pessoas que, por algum motivo, não foram capazes de retomar suas atividades.

Aos 58 anos de idade, Olívia se sente feliz como ambulante (Foto: Nildo Nascimento).
Se por um lado, temos um aumento significativo nas contratações indicadas pelo Sine no município; por outro, em que situação anda a parcela da população que, assim como as duas senhoras do início da reportagem, não estão atuando em nenhuma empresa? Ou exercendo alguma função regida pela formalidade? De acordo com o Sistema, o levantamento desse volume de informalidade ainda deve ser atualizado. Segundo Marylane Borba, gerente do Sine/Sobral, “na primeira gestão do prefeito Ivo Gomes (PDT), foi feita uma pesquisa minuciosa com todos esses dados. Depois, veio a pandemia. E acredito que os números estejam desatualizados. Antes, tínhamos mais acesso, mas os dados são levantados hoje, pelo Ministério da Economia, ligado ao Ministério do Trabalho que, por sua vez, atua diretamente com a Secretaria de Tecnologia e Desenvolvimento Econômico (STDE)”, explicou.
 
Aos 55 anos de idade, Evaldo Mendes se orgulha de tirar o sustento da banca de calçados que possui (Foto: Nildo Nascimento).
Ao ser procurada pela equipe de jornalismo do Sistema de Comunicação Paraíso, Iara Soares, gerente do Trabalho, Investimento e Empreendedorismo da STDE, que está de férias, confirmou, por telefone, a execução do último levantamento sobre os números da informalidade no município de Sobral; mas disse que os dados estão defasados, necessitando de atualização. Iara também informou que hoje, a Secretaria segue sob outra gestão, e que a mesma seria colocada a par dos acontecimentos, para que uma nova pesquisa seja planejada e executada.

Fonte: Sistema Paraíso

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