Fernanda Paes Leme sobre surubão em Noronha: 'não me chamaram'

Atriz começou a carreira aos 15 e hoje tem dificuldade para desacelerar Agência O Globo O fato de sua mãe ter aberto mão da vida ...

Atriz começou a carreira aos 15 e hoje tem dificuldade para desacelerar

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Agência O Globo
O fato de sua mãe ter aberto mão da vida profissional depois de dar à luz fez Fernanda Paes Leme ter uma certeza muito cedo: nunca dependeria de ninguém, muito menos de homem. Justamente por isso, a atriz paulistana, de 35 anos, focou no trabalho. Começou a carreira aos 15 e hoje tem dificuldade para desacelerar. O apego à vida profissional é inversamente proporcional à forma como lida com os relacionamentos amorosos. “Aí é desapego. Se tem ciúme do trabalho, não serve. Próximo!”, diz ela, que tem a frase “let it be” tatuada.
Essa racionalidade também se apresentou quando era menina. Filha do jornalista esportivo Álvaro José e da dona de casa Maria do Carmo Miranda, Fernanda se viu madura aos 7 anos, ao ganhar um irmão. “Virei leoa. Meus pais brigavam, e eu abria a porta do quarto exigindo respeito”. Aos 9, pediu ao pai que saísse de casa. “Falei: ‘tá na hora de você ir, é melhor’”, conta ela, “geminiana com ascendente em virgem, mas lua em peixes, ou seja, coração doce”.
Ele foi, mas deixou nela a paixão pelo futebol (é são-paulina roxa). Por causa do esporte, aliás, sofreu machismo: depois de um tuíte na Copa de 2018, um homem escreveu: “Vai lavar uma louça”. Não se abalou, assim como diante de críticas, nas redes, ao cabelo curto. “Crescemos com a ideia de que mulher tem que ter cabelão porque homem gosta.”
Fernanda recebeu a repórter em seu apartamento, na Barra. Falou sobre a volta às novelas, da cobrança do mundo para tornar-se mãe e até do “surubão de Noronha”. “Não me chamaram!”, brinca.
Bateu insegurança na volta às novelas (ela fez participação em “Malhação”, no início do ano), após seis anos desde “Salve Jorge”?
Bateu. Era muito texto, mas acaba sendo como andar de bicicleta. No final, deu aquela sensação de “Yes! consegui”. Parecia que estava andando com a trilha sonora da Beyoncé, só falou o vento no cabelo.
O que sente com a volta de “Sandy & Junior”? Você estreou na TV no seriado...
Só de vê-los cantando “Turu turu” ( “Quando você passa” ) no “Caldeirão”, tremi tanto que precisei sentar. Chorei. Vou ao show em Salvador. Temos um grupo de WhatsApp, o “Galerinha mais ou menos”, que é como o personagem do Paulo Vilhena nos chamava. A gente, manda meme, dá risada...
Quais são as novidades do "Desengaveta"?
As pessoas gostam do programa e querem muito participar, mas não tenho como ir à casa dos telespectadores. Então, estudamos algumas  formas e chegamos numa espécie de "povo fala", em que poderão interagir comigo.
Você é chamada de “musa do desapego”, mas usa look de R$ 17 mil (como, recentemente, no Lollapalooza), posa com bolsa da Gucci de R$ 20 mil no Instagram... Não é um paradoxo?
A roupa não era minha, usei e devolvi. Não gastei nada, mas poderia, pois eram peças que duram a vida toda. Vivemos num mundo capitalista e isso não vai mudar. Não sou ativista. Incentivo a se livrarem do excesso, a repetirem roupa. A conta do planeta já fechou. A gente pode fazer a nossa parte, começando por dentro do armário. 
O que te deu o estalo para desapegar do excesso?
Desapego faz parte da minha vida desde sempre. Minha mãe nunca foi apegada a bens materiais. Tinha uma calça jeans e blusas que minha avó costurava. Meu start veio numa mudança. Achei que as caixas eram toda a minha casa. Aí, vi que eram só minhas calças. Eram mais de 80!
Se somos resultado de nossa criação e referências, o que foi fundamental para você se tornar a mulher que é hoje?
Minha mãe largou o trabalho quando eu nasci, aos 24 anos. Ela dizia: “Nunca deixe de trabalhar por homem nenhum”. Aquilo a fez depender do meu pai. Ela foi artista, patinava, viajava o Brasil. Aí, engravidou e foi cuidar dos filhos. Percebi o que eu não queria para mim.
“'Tive festa de Branca de Neve, mas porque achava legal ela ter 7 amigos homens, me identificava'”
Por isso sua sede de trabalho.
Aos 9 anos, queria estar na TV. Aos 15, entrei na Globo. Aos 19, vim morar sozinha no Rio. Só pensava em trabalhar. Não fui um acontecimento, subi um degrau de cada vez. Relacionamentos nunca foram prioridade na minha vida. Se o cara me atrapalhava, eu dava tchau. Tive 8 namoros. Tô com 35 anos, solteira e tá tudo certo.
E essa tatuagem com a frase “amor eterno” no seu pé?
Coisa que a gente faz jovem, né? Passar a vida com uma pessoa, não existe. Que inveja tenho da liberdade da molecada, que nem pensa em ter um relacionamento que não seja aberto. Minha geração cresceu vendo princesas, achando que tem que ser feliz por causa de um cara. Meu filme preferido era “Dumbo”. Tive festa de Branca de Neve, mas porque achava legal ela ter 7 amigos homens, me identificava.
Você tem amigos homens, mas não aceitam sua amizade com João Vicente de Castro, né? Sempre dizem que namoram...
Surreal, me atrapalha a pegar gente ( risos ). Estava numa festa cheia de gatinho, com cinco amigos lindos. E me toquei que não havia possibilidade de chegarem em mim ( risos ).
Tem vontade de ser mãe? Sente-se cobrada?
Tenho, mas nunca foi meu sonho. Via amigas sonhando em casar, ter filhos, e eu querendo ser boa profissional. Penso que gostaria de ser mãe, que talvez não seja, que talvez adote, que talvez tenha sozinha, que talvez encontre um pai. Não que pare para pensar, mas o mundo me lembra. Me perguntaram se estava congelando óvulos. Fiquei constrangida. Que chatice não poder deixar acontecer. Não quero tomar hormônio. Se tiver que congelar, ok, mas detesto esse assunto.
Ainda há preconceito com mulher de cabelo curto?
É um padrão, crescemos com a ideia de que mulher tem que ter cabelão, traz sensualidade, é o que os homens gostam. Hoje, as pessoas se sentem no direito de julgar pelas redes. É aquilo de “ninguém mandou ser artista, né?”, e tiram foto de você comendo. No caso da internet, quando veio o surto do Instagram, o Stories, aconteceu de estar numa festa e a pessoa ficar me filmando... Ou no aeroporto, quando um cara  sentou do meu lado enquanto o amigo tirava foto escondido em vez de pedir. Tirei meus óculos e fiquei olhando para a cara do rapaz.  Eles ficaram constrangidos,  e eu disse "Pede, eu sou legal, vou gostar de tirar uma foto"...
Você também foi atacada ao comentar futebol, na Copa do Mundo de 2018, pelo Twitter, quando um homem mandou você lavar uma "loça" (sic)...
Sim... Qual o problema, que surpresa é essa de uma mulher amar futebol? Quem me segue sabe que amo, do meu posicionamento político, feminista. Quem viu e não concordou, debandou. Que bom! 
A sua reposta, dizendo para o rapaz aprender a escrever "louça", foi ótima. Costuma responder com acidez quando não gosta do comentário?
Respondo com crítica, sim, dou uma alfinetadinha, mas não costumo ofender. Porque a gente tem o poder de tentar fazer com que as pessoas vejam e se reeduquem em vez de só ser grossa. Isso é mais importante. Mas essas coisas não acabam comigo, minha vida não muda. 
Você foi uma das primeiras celebridades a entrar no Twitter, tem mais de três milhões de seguidores no Instagram... A força das redes também é positiva, né?
Quando você quer fazer ecoar um pensamento, uma opinião, um projeto, é ótimo. A rapidez com que as notícias chegam também é outro ponto positivo. A internet mudou a vida de todo mundo. Através do Twitter, as pessoas ficaram sabendo que eu gostava de futebol, que meu pai era jornalista esportivo... A ver um lado meu que não conheciam. Acho que, para o artista dar certo na rede social, tem que ser o que é de verdade. Quando você finge, fica só postando foto de fotógrafo para alimentar as redes, não traz proximidade. Pode até ter mais seguidor, mais like. Eu não sou a mais seguida, a mais curtida, mas sou real. Eu digo "Gente, tô na merda hoje aqui, olha como eu chorei horrores nessa novela...". Meus seguidores me conhecem, sabem quem eu sou, passo uma credibilidade que as meninas mais seguidas não têm. Esse tempo todo que tenho de carreira, mais de Twitter e outras redes, sendo eu mesma, sincera, respondendo, cutucando, me posicionando, viram:"Olha esse menina é real, não finge ser outra coisa".
E o ‘surubão de Noronha’? Rolou?
Hahaha, maravilhoso, né? Nós, o Bruninho ( Gagliasso ), a Giovanna ( Ewbank ), fazemos piada, damos risada. Não participei, infelizmente ( risos ). No carnaval, me perguntavam: “E o ‘surubão de Noronha’?”. Eu respondia: “Não me chamaram! Fiquei arrasada, nessa ninguém me coloca, isso a Globo não mostra!” ( risos ). Mas as fake news são perigosas. Inclusive, temos um presidente eleito por conta disso, né? Acreditaram no kit gay...

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