'Garoto bom', afirma mãe de Osama bin Laden

Aos 70 anos, ela ressaltou que ainda o ama e acredita que o filho, ainda jovem, recebeu más influências Agência O Globo Alia Ghane...

Aos 70 anos, ela ressaltou que ainda o ama e acredita que o filho, ainda jovem, recebeu más influências

Agência O Globo



Alia Ghanem, mãe do líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, mentor dos atentados de 11 de Setembro, se manifestou pela primeira vez sobre as ações do terrorista em uma entrevista ao jornal britânico "The Guardian", publicada nesta sexta-feira. Aos 70 anos, ela ressaltou que ainda o ama e acredita que o filho, ainda jovem, recebeu más influências.
"Minha vida foi muito difícil porque ele estava tão longe de mim", disse a mãe de bin Laden, morto no Paquistão em 2011. "Ele era um garoto muito bom e me amava muito".
Ghanem contou ter nascido em uma família de alauítas, um desdobramento do islamismo xiita, na cidade de Latakia, no litoral da Síria. Sua mudança para a Arábia Saudita ocorreu nos anos 1950. Ainda nesta década, ela deu à luz seu primogênito, em 1957, em Riad. Pouco após se divorciar com o pai de bin Laden, se casou novamente, quando o filho tinha 3 anos.
Ela destacou que na infância o filho demonstrava ser tímido e ter grande potencial para os estudos. Para a mãe do terrorista, outras pessoas foram responsáveis pela sua radicalização durante o curso de economia na Universidade King Abdulaziz, em Jeddah.
"As pessoas na universidade mudaram ele", frisou. "Ele se tornou um homem diferente".
Foi na faculdade onde bin Laden conheceu Abdullah Azzam, membro da Irmandade Muçulmana. Mais tarde, ele seria exilado da Arábia Saudita e se tornaria seu conselheiro espiritual.
"Ele foi uma criança muito boa até conhecer algumas pessoas que praticamente fizeram lavagem cerebral em seus 20 e poucos anos. Você pode chamar isso de culto. Eles conseguiram dinheiro para a causa deles. Eu sempre dizia a ele para ficar longe deles, e ele nunca iria admitir para mim o que ele estava fazendo, porque ele me amava tanto", afirmou.
A radicalização de Osama bin Laden nos anos 1970 ocorreu antes da Revolução Iraniana de 1979, que aprofundou a politização entre xiitas e sunitas. No início dos anos 1980, bin Laden foi para o Afeganistão combater a ocupação russa. A partir de 1999, a família não teria tido mais contato com o terrorista.
Ghanem disse ainda que nunca passou por sua cabeça que o filho pudesse se tornar um jihadista. Quando descobriu o que estava acontecendo, não aprovou em nada.
"Nós estávamos extremamente chateados. Eu não queria que nada disso acontecesse. Por que ele jogaria tudo fora assim?", indagou. "Ele era muito correto. Muito bom na escola. Ele realmente gostava de estudar. Ele gastou todo o seu dinheiro no Afeganistão - se esgueirava sob o disfarce de empresa familiar".
Apesar do envolvimento de bin Laden na al-Qaeda, Hassan, outro filho de Ghanem, disse que sente orgulho de ter tido bin Laden como irmão mais velho. Como um homem, porém, o sentimento não é o mesmo.
"Ele me ensinou muito. Mas eu não acho que estou muito orgulhoso dele como um homem. Ele alcançou o estrelato em um palco global, e foi tudo para nada".
Ghanem respondeu às perguntas ao lado dos filhos Ahmad e Hassan e seu segundo marido, Mohammed al-Attas, que criou os três irmãos, na mansão da rica família em Jeddah, na Arábia Saudita. Para que a entrevista fosse agendada, o jornal britânico precisou de uma autorização do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, de 32 anos, a nova liderança do país. Como forma de cautela, um representante do governo acompanhou a conversa, ocorrida no início de junho.
"Já faz 17 anos (desde o 11 de setembro) e ela continua negando o caso de Osama", afirmou Ahmad. "Ela o amava muito e se recusa a culpá-lo. Em vez disso, ela culpa os que o rodeiam. Ela só conhece o lado do bom garoto, o lado que todos nós vimos. Ela nunca chegou a conhecer o lado jihadista".
O principal líder da organização terrorista al-Qaeda foi morto em maio de 2011 num complexo residencial na localidade de Abbottabad, próximo à cidade de Islamabad, no Paquistão, com um tiro na cabeça, numa operação de 40 minutos comandada diretamente pela Casa Branca.

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